segunda-feira, outubro 27, 2008

A Louca de Albano

Minha tia transcreveu "A Louca de Albano", poesia que minha mãe contava pra mim e minhas irmãs quando éramos crianças e que aprenderam com o pai delas (meu avô Elesbão, que infelizmente não chegamos a conhecer). Apesar de sanguinolenta a gente adorava essa história e sempre pedia pra ela repetir. Pedi pra transcreverem pois uma vez a citei no blog e volta e meia recebo mensagens de pessoas que chegaram até aqui pelo Google pedindo esse texto. Pois aqui está! ;-)

"A Louca de Albano"

- Anda cá, meu filho, escuta: És amigo de sua mãe?
- Oh, minha mãe, que pergunta?
- Basta, meu Paulo, pois bem. Vai ver a velha Vicenza o amor que o filho lhe tem. Faz hoje 20 anos que teu pai morreu a golpe deste ferro, para meu mal e eu, a vir vingá-lo, fiz uma jura fatal...
- Uma jura? Mãe santíssima! Oh, minha mãe, o que jurou?
- Eu jurei por este sangue, que em ferrugem se tornou, que tu Paulo matarias, quem teu pai matou.
- E matas, meu filho?
- Mato.
- Matas, seja quem for?
- Mato.
- Ainda que esta vingança lhe roube do seio o amor?
– Mato.
- Tome este ferro, é Ricardo o matador.
- Ricardo, o pai de Maria? Oh, minha mãe, perdoai...
- Pela amante o pai esquece, filho ingrato, parte e vai, cumpre a jura ou sê maldito se não vingares a teu pai.
Nesta noite, tinto em sangue, com os cabelos no ar, o assassino de Ricardo, foi aos pés da mãe prostar o punhal com que jurara, do pai a morte vingar.
Riu-se a velha de contente e abraçou o vingador, mas que de súbito aparece na porta uma estátua de dor:
- Paulo, meu Paulo, perdi meu pai não vês? As lágrimas que aqui derramo assistiram ao triste fim. Quis falar-me e já não pode, com os olhos fixos em mim, expirou... "Vingança eterna". Tu vingas, meu Paulo, sim?
- Vingo, Maria, sossega, eu sei quem teu pai matou, vai morrer com o mesmo ferro que a pouco o transpassou.
Assim disse e a punhalada no próprio peito cravou...
Foge a moça espavorida, deixa Albano sem parar, chega a Roma no outro dia, por toda parte a gritar:
- "Quem me mata por piedade, quem me acaba de matar?"
E assim vagou três dias, sendo que no quarto enlouqueceu, quando passa o viajante, quando passa o Coliseu, vê a triste às gargalhadas, vingança pedindo a Deus...
- Ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha...

13 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Estou encantada,a anos procuro por essa poesia,que ouvi de uma colega do ginasial la pelos anos cinquenta.Chamava-se Eliane Prates.Com algumas diferenças,assim:Corre a louca esbaforida pelo albano e sem sessar gritando a todos que passam.Quem me mata,quem me mata,quem e que vem me matar?

    ResponderExcluir
  3. Adorei obrigada.Agora vou atras de outra que a muito procuro."Moleque bacurau."e do livro "A Nau da vingança". Será que alguém conhece???

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Encontraste o poema "Moleque Bacurau"? Eu também tenho procurado... Se achar me envie...

      Excluir
    2. Olá!! Gostaria se poder receber também esse poema do "Moleque Bacurau",
      de Silvio Moureaux! por favor, me envie, se vc. já tiver,pois estou precisando trabalhar com adolescentes em uma congrregação evangélica. Obrigada

      Excluir
  4. Que maravilha ter encontrado esta poesia que aprendi no meu tempo de Normalista nos anos 60 com alguma diferenças. Fiquei feliz equem me passou foi uma adolescente do Ginásio.

    ResponderExcluir
  5. Que grata surprese depois de quarenta anos me vem a tona uma poesia que meu .gostava e tambem eu de ouvi-la . Nostalgicamente ainda consigo sintr um gontinho alegre na alma . Tony

    ResponderExcluir
  6. esta poesia me lembra meu pai pois ele sabia varias posia mas esta ele declamava diariamente para todoa a familia ela morreu com 90 anos de idade e nunca errou uma palavra . a que saudade tenho dele.
    estanislau

    ResponderExcluir
  7. Também ouvi minha mãe declamar esta poesia nas festas da minha escola primária. Lá se vão 50 anos. Várias vezes procurei por ela na net para saber a autoria, e não encontrei nenhuma citação. Encontrei aqui na íntegra, como minha mãe declamava, e ainda declama. Adorei.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa poesia é dos meus áreos tempos da juventude.
      Amei encontra-la!!!!

      Excluir
  8. Quando estava no colegial fazia jogral e uma das poesias que apresentávamos era Moleque Bacurau, mas só me lembro do nome,não sei de quem era. Mas hoje, pra minha felicidade um ex-colega desta época me localizou pelo facebook e vou saber dele a autoria e se ele pode me mandar o poema.E vou ficar muito feliz de poder lhe enviar.
    Abraços,
    Dalva

    ResponderExcluir
  9. Olá !! eu tenho a poesia Moleque Bacurau, de Silvio Moureaux!! se ainda quiserem me enviem msg para leila@tavola.com.br que eu mando digitalizada; tenho escrita no meu caderno de Declamação.... caramba! tem tanto tempo! abs, Leila.

    ResponderExcluir
  10. Eu cresci com minha mãe Recitando esta Poesia, nos ensinou e em todas festas de familia estavamos nós DECLAMANDO OU APRESENTANDO EM FORMA DE PEÇA TEATRAL.

    ResponderExcluir